Fecha de recepción: 28 de noviembre de 2025
Fecha de aceptación: 13 de febrero de 2026
Disponible en línea: 9 de mayo de 2026
Vol. 13 N.° 1
EneroJunio del 2026
pp. 1- 32
HISTORIA ECONÓMICA,EMPRESARIAL Y DEL PENSAMIENTO
TIEMPO & ECONOMÍA
Sugerencia de citación:
Moraes da
Costa, E., Pedreira Campos, P. H. (2026).
O comércio de abastecimento e a
dualidade estrutural da economia
dependente brasileira: o problema do
suprimento das carnes verdes para a
cidade do Rio de Janeiro até o final da
Primeira República.
tiempo&economia, 13(1), 1-32.
https://doi.org/10.21789/24222704.2213
DOI:
https://doi.org/10.21789/
24222704.2213
O comércio de abastecimento e
a dualidade estrutural da
economia dependente
brasileira: o problema do
suprimento das carnes verdes
para a cidade do Rio de Janeiro
até o final da Primeira
República
El comercio de abastecimiento y la
dualidad estructural de la economía
dependiente brasileña: el problema del
suministro de carne verde a la ciudad de
Rio de Janeiro hasta el final de la Primera
República
TIEMPO & ECONOMÍA
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Edite Moraes da Costa
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil
https://orcid.org/0009-0002-2195-7955
mcedite@gmail.com
Pedro Henrique Pedreira Campos
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil
https://orcid.org/0000-0002-9280-3649
phpcampos@yahoo.com.br
RESUMO
Neste artigo, problematizamos o papel do comércio de
abastecimento na economia brasileira durante o período colonial, o
Império (1822-1889) e a Primeira República (1889-1930). Especificamente,
tratamos do suprimento das carnes verdes para a cidade do Rio de Janeiro,
com base em fontes de diferentes períodos dentro desse recorte histórico.
O que notamos como continuidade entre esses momentos é a precariedade
e as frequentes queixas quanto à qualidade, à quantidade e ao preço da
carne na cidade. De acordo com a hipótese proposta, essa fragilidade no
abastecimento desse alimento à cidade decorre do caráter subsidiário do
suprimento do mercado interno nesse longo período, no qual a prioridade
fundamental da economia brasileira era a produção de artigos de alto valor
no mercado internacional, um segmento dinâmico da economia brasileira.
Palavras-chave: comércio de abastecimento; dependência; carne
fresca; dualidade estrutural; Rio de Janeiro; historia econômica.
Códigos JEL: N760, F54
RESUMEN
En este artículo problematizamos el papel del comercio de
abastecimiento en la economía brasileña durante el período colonial, el
Imperio (1822-1889) y la Primera República (1889-1930). Específicamente,
tratamos el suministro de carne fresca a la ciudad de Rio de Janeiro, con
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base en fuentes de diferentes épocas dentro de este marco histórico. Lo
que notamos como continuidad en relación con estos diferentes momentos
es la precariedad y las frecuentes quejas sobre la calidad, la cantidad y el
precio de la carne en la ciudad. Según la hipótesis planteada, esta fragilidad
en el suministro de alimentos a la ciudad se debe a la naturaleza subsidiaria
del suministro del mercado nacional en este largo periodo, en el que la
prioridad fundamental de la economía brasileña era la producción de
artículos de alto valor en el mercado internacional, un segmento dinámico
de la economía brasileña.
Palabras clave: comercio de abastecimiento; dependencia; carne
fresca; dualidad estructural; Rio de Janeiro; historia económica.
Códigos JEL: N760, F54
Durante o primeiro semestre de 2025, o governo Lula sofreu uma
queda na sua popularidade no Brasil, tendo como uma das causas a inflação
dos alimentos. Dentre os produtos que aumentaram de preço, estava o
café, que registrou alta de mais de 80% entre maio de 2024 e maio de 2025.
O motivo estava no aumento da demanda global pelo produto, em
particular da China que passou de 20º a maior mercado do café
nacional , associado a problemas na safra brasileira e em outros países
produtores como Colômbia e Vietnã , em razão das mudanças
mundiais da temperatura e seus efeitos na agricultura. Entre 2020 e 2025,
o produto teve elevação de 230% no mercado brasileiro e a alta levou ao
aparecimento do “café fake”, mais barato, feito com o resíduo da lavoura
(G1, 2025). Apesar de ser o maior produtor global, o Brasil sente os efeitos
da oscilação do gênero no mercado internacional e hoje sofre os efeitos da
seca e calor gerado pelas transformações climáticas globais. O caso indica
como o mercado interno está à mercê dos preços globais do gênero,
mesmo com uma produção maior que a demanda doméstica,
caracterizando uma vulnerabilidade da economia brasileira.
Neste artigo, problematizamos o comércio de abastecimento no
Brasil até o final da Primeira República, enfatizando o século 19.
Pretendemos discutir a posição da produção voltada para o suprimento do
mercado doméstico, levando em consideração a confecção de gêneros para
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o mercado internacional. Analisamos especificamente a carne verde, que
era a carne bovina proveniente do animal abatido, sem a refrigeração
elétrica ou sem ser salgada. O recorte geográfico diz respeito à cidade do
Rio de Janeiro, capital do país no período. A justificativa para a realização
deste artigo decorre de uma série de pesquisas realizadas nos últimos anos
que identificam uma precariedade no processo de abastecimento do
mercado interno, particularmente de carnes verdes, em diferentes
períodos históricos, apontando para um certo padrão da economia
brasileira visível em diferentes momentos. Daí retomarmos esse tema
bastante visitado pela historiografia brasileira.
O debate sobre o mercado interno na história brasileira,
particularmente nos períodos colonial e imperial, teve alguns aportes
relevantes. João Antonio de Paula (2002) escreveu um estimulante artigo
no qual tece um debate teórico e conceitual em torno da categoria
“mercado”. Em uma parte posterior do texto, o autor discute a constituição
do mercado interno no Brasil, ressaltando o mercado de trabalho e o
mercado de terras. Conforme indica De Paula, no período anterior ao
advento do capitalismo, a limitada integração no território da América
portuguesa e do Brasil dificultava a formação de um mercado interno.
Com base nisso, este artigo está dividido em três seções. Na primeira,
abordamos brevemente as interpretações e os modelos explicativos da
economia colonial e dependente brasileira, enfatizando as considerações
dos autores sobre o mercado doméstico e o abastecimento. Na segunda,
tratamos do abastecimento de carnes verdes para a cidade do Rio de
Janeiro durante o período imperial. Na terceira parte, abordamos o
suprimento de carnes à cidade desde o final do Império (1822-1889) e no
início da Primeira República (1889-1930). Por fim, apresentamos a
conclusão e as referências.
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O comércio de abastecimento na economia colonial e
dependente
O tema da economia colonial brasileira foi objeto de amplos debates
historiográficos ao longo do século 20. Em meio à relevância que o
materialismo histórico teve no pós-Segunda Guerra Mundial no meio
acadêmico, foram travados embates em torno da interpretação da
economia colonial da América portuguesa. Entre as décadas de 1970 e
1980, houve discussões acaloradas sobre o caráter feudal, capitalista ou
escravista da economia colonial brasileira, que foram amalgamadas no livro
organizado por Lapa (1980).
De acordo com a interpretação de autores ligados ao Partido
Comunista Brasileiro (PCB), existiam características feudais na economia
colonial brasileira, sendo acessados fenômenos como as capitanias
hereditárias, o poder descentralizado na Primeira República e a força dos
coronéis, além do caráter predominantemente rural da colonização
portuguesa e o poder dos terratenentes. O livro de Alberto Passos
Guimarães (1963), Quatro Séculos de Latifúndio, é emblema dessa
interpretação, afinado com a perspectiva das etapas dos modos de
produção dos manuais soviéticos. Outro autor de peso dessa corrente,
Nelson Werneck Sodré (1963), assim se referiu à produção voltada para o
mercado interno durante o período colonial:
Não existe e nem pode existir senão em nível ínfimo produção
para o consumo interno. As lavouras de mera subsistência, que logo
surgem como necessidade imediata, carecem de qualquer expressão
econômica. Sua produção não se destina aos mercados, não tem valor de
troca. A unidade produtora tem todos os traços autárquicos, enquanto as
necessidades de sua gente são diminutas e rudimentares. (p. 69; grifo
nosso)
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Segundo essa leitura, a economia colonial brasileira não permitiria a
produção voltada para o mercado doméstico. Essa corrente foi criticada por
visualizar o feudalismo em um contexto no qual não havia a relação de
produção servil, além de reproduzir mecanicamente a sequência dos modos
de produção difundidos nos manuais stalinistas.
Um dos críticos da tese feudal foi Caio Prado Junior. Em seu clássico, de
1966, o autor sinaliza que Guimarães e Sodré partem de uma aplicação
mecânica da sequência histórica dos modos de produção na Europa
Ocidental, sem olhar as especificidades brasileiras. Segundo Caio Prado
(2000 [1942]), a economia brasileira é capitalista desde a chegada dos
europeus. Em outro importante escrito do autor no início dos anos 1940, ele
sintetizou, em passagem clássica, o seu entendimento sobre a economia
colonial brasileira:
Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade
nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais
tarde ouro e diamantes; depois algodão e, em seguida café, para o comércio
europeu. Nada mais que isto. E com tal objetivo, objetivo exterior, voltado
para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o
interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia
brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura, bem como as
atividades do país. (Prado Junior, 2000 [1942], p. 20; grifo nosso)
Nessa passagem, o autor sinaliza que a colonização foi realizada para
fornecer produtos de alto valor ao mercado europeu, enriquecendo a
metrópole e os grupos dominantes daquela sociedade, como grandes
comerciantes e proprietários rurais. Assim, a prioridade fundamental da
economia colonial brasileira era a produção de gêneros para exportação,
sendo as outras atividades subsidiárias a esta.
Apesar do significativo avanço que Caio Prado trouxe para a
compreensão do processo histórico brasileiro, ele e seus seguidores foram
criticados por uma nova corrente historiográfica. Sem questionar a
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centralidade da produção voltada para a exportação, Ciro Cardoso e Jacob
Gorender discordam que a economia colonial fosse capitalista, vendo ali
uma sociedade alicerçada no trabalho escravo. Os autores cunharam um
novo conceito:
O modo de produção escravista colonial se instaurou em regiões que,
por uma parte, caracterizavam-se, ao chegarem os europeus, por uma
população indígena pouco densa, e por outra parte apresentavam
condições propícias às atividades exportadoras, baseadas numa economia
de plantação de produtos tropicais, ou na exploração de jazidas de metal
precioso (o ouro de Minas Gerais, no Brasil). A redução dos índios à
escravidão, sua expulsão ou extermínio, e sobretudo a importação de
escravos negros, serviram de base à construção do território e da força
de trabalho. Isto foi o que aconteceu no Brasil, nas Antilhas, nas Guianas,
nas mais meridionais das treze colônias da América do Norte, em certas
partes da América espanhola continental. (Cardoso, 1975, p. 82; grifo
nosso)
Interessante notar a sofisticação da análise com a adoção dessa
interpretação. Com a crítica sobre a leitura circulacionista de que o Brasil
sempre foi capitalista, os autores se debruçam sobre as relações sociais de
produção e identificam o trabalho escravo como central na nossa formação
do país, sem anular o caráter colonial da sua economia e a precedência da
produção voltada para exportação. Assim, a leitura de que a economia da
América portuguesa operava nos marcos do escravismo colonial não
invalida a tese de Caio Prado presente na passagem supracitada. A
produção era eminentemente voltada para a exportação, mas feita por
escravizados, o que constitui fator relevante para compreender o processo
histórico brasileiro.
No bojo dessas discussões historiográficas, nos anos 1970 e 1980,
vieram à tona pesquisas sobre a produção para o mercado doméstico no
período colonial e imperial. O livro de Alcir Lenharo, de 1979, analisou o
abastecimento da Corte portuguesa instalada na cidade do Rio desde 1808
e como a sua presença levou ao fortalecimento de circuitos de produção e
suprimento de mercadorias para a capital da América portuguesa. Esse
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esforço foi somado às pesquisas coordenadas por Maria Yedda Linhares
(1979) na segunda metade dos anos 1970 acerca da história do
abastecimento no Brasil. A autora abordou diversas realidades locais,
regionais e históricas, ressaltando a importância de gêneros como farinha
de mandioca e carnes verdes nesses circuitos mercantis. A respeito desse
último gênero, assim se referiu a autora:
A carne verde, mais do que qualquer outro gênero de alimentação,
persistiu no passado brasileiro como um problema de abastecimento dos
centros urbanos a desafiar leis, instituições, regimes políticos, doutrinas
econômicas, governantes, consumidores e soluções. Dela sempre se
queixavam da má qualidade, escassez, carestia, como uma litania que tem
seus primeiros refrões no século XVII, em praticamente qualquer
aglomeração urbana da colônia, continuando, na mesma toada, através do
século XIX e penetra na República, sem quebra de ritmo.
[...]
Nenhum outro gênero, porém, provocou mais celeuma na opinião e
descontentamento entre as populações consumidoras, também nenhum
outro como ele deixou documentação tão rica e abundante nos arquivos
brasileiros, a ponto de se poder afirmar, sem grande exagero, que a
história do abastecimento no Brasil é a história da carne verde. (Linhares,
1979, pp. 191-192; grifo nosso)
A autora sinaliza como a carne fresca era fundamental no comércio de
abastecimento ao longo da história brasileira, sendo responsável pela
produção de muitas fontes, principalmente acerca da precariedade,
carestia e escassez do gênero. Em outra obra, Linhares e Francisco Carlos
Teixeira da Silva (1981) assinalaram que havia crises de fornecimento de
alimentos no período colonial e que isso se devia a diversos fatores, como
causas naturais, a existência de outros artigos com produção mais lucrativa,
a tendência da pequena produção à subsistência e, principalmente, a
concorrência entre a agricultura voltada para o abastecimento e a dedicada
à agroexportação (Linhares e Silva, 1981).
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Vimos nesta seção que, de acordo com diversos autores, um traço
constitutivo da economia brasileira desde o processo da colonização é a
prioridade conferida à produção de gêneros voltados ao mercado externo,
em prejuízo da produção dedicada ao mercado interno, que possuía um
caráter secundário. Vejamos agora as características do mercado de carnes
verdes na cidade do Rio de Janeiro durante o Império.
O problema do abastecimento de carnes verdes para a
cidade do Rio no Império
A temática do abastecimento do mercado doméstico no período
colonial não é um tema exatamente novo na historiografia brasileira. Se
observarmos a produção acadêmica, a primeira tese de doutorado em
História defendida no Brasil versou sobre esse assunto. Em 1951, Mafalda
Zemella defendeu, na Universidade de São Paulo, seu trabalho sobre o
abastecimento das regiões produtoras de ouro e diamantes no século 18.
Sob orientação de Alfredo Ellis, a autora analisa a questão, abordando a
descoberta de ouro, o povoamento da capitania de Minas Gerais, os
mercados que abasteciam a região, o comércio local, o consumo dos
habitantes e as crises de abastecimento, com carestia, escassez,
especulações e surtos de fome (Zemella, 1990).
Apesar dos estudos dedicados ao abastecimento da região aurífera
no 18, a pauta ganhou força com as pesquisas coordenadas por Linhares
nos anos 1970, que redundaram nos livros publicados em 1979.
Encomendada pelo Ministério da Agricultura, essa investigação reuniu
diversos pesquisadores que levantaram fontes e estabeleceram uma
radiografia da história do abastecimento no Brasil. O livro aponta situações
críticas no abastecimento das cidades em diversos períodos, demarcando a
fragilidade da produção dedicada ao suprimento interno no período
colonial e com situações graves em cidades como Belém, Recife holandês,
Salvador, a região mineradora, acompanhadas de agitação social.
Destacam a ação estatal em gêneros como farinha de mandioca e carnes
verdes, assinalando como isso era alvo de intervenções, em particular no
Rio, quando a cidade virou capital colonial. Ressaltam as medidas da
administração colonial para regularizar o fornecimento de carne na cidade,
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incluindo a criação de matadouro público, mas que não evitaram queixas e
problemas no abastecimento da urbe (Linhares, 1979).
Quem assessorou diretamente Linhares foi Francisco Carlos
Teixeira da Silva. O autor conhecia profundamente o assunto e acabou
avançando na questão em sua tese de doutorado, na qual comparou o
problema do abastecimento do Rio e de Salvador no período colonial. Ele
levanta situações de grave crise de abastecimento na cidade do Rio em
meados do 18, além de surtos de fome em Salvador entre 1694 e 1702. A
administração local tomava medidas para aumentar a oferta de alimentos,
mas o problema era recorrente, e as crises de carestia, escassez e fome
eram corriqueiras no período (Silva, 1990).
Em pesquisa mais recente, Georgia Tavares estudou o
abastecimento de carne no Rio, problematizando a atuação dos
marchantes nesse comércio na segunda metade do século 18. A autora
usou documentos da Câmara Municipal, analisando as práticas
monopolistas e os mecanismos usados para a elevação dos lucros por esses
agentes, que eram intermediários no mercado de carnes da cidade. A
prática incorria em carestia e escassez, dificultando o consumo de carne por
segmentos da população (Tavares, 2012).
A cidade teve grande crescimento populacional e de importância
durante o século 18, quando passou a ser a porta de entrada e saída das
regiões mineiras e atuou como centro fornecedor de gêneros para a
capitania produtora de ouro. Desde a administração pombalina (1750-1777)
e, em especial, após se tornar sede do vice-reinado, a cidade passou a
contar com intervenções e políticas da administração colonial no sentido de
melhorar a estrutura urbana e estabilizar o abastecimento de gêneros. O
marquês de Lavradio inaugurou o primeiro matadouro da cidade, em 1774,
na praia da Santa Luzia. Mesmo assim, o fornecimento de carne na cidade
não foi regularizado, e novas ações foram tomadas. Outros matadouros
vieram com o tempo, em São Cristóvão, em 1853 quando foi desativado
o de Santa Luzia , e, em especial, o de Santa Cruz, em 1881. Conforme
veremos, mesmo com essas intervenções, os problemas no abastecimento
de carnes à cidade persistiam, e o comércio foi permanentemente
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acompanhado de queixas em relação ao preço, à quantidade e à qualidade
da carne, tanto no período colonial, no Império, quanto na Primeira
República (Costa, 2017).
Se o abastecimento de alimentos para a cidade encontrava
problemas na segunda metade do século 18, ele sofreu grande impacto
com a chegada da família real e da corte portuguesa, bem como com a
abertura dos portos em 1808. O afluxo de pessoas à cidade gerou uma
situação emergencial no fornecimento de gêneros na nova capital do
Império português. Maria Odila Dias, em texto clássico, assinala a
interiorização de metrópole na região Centro-Sul da América portuguesa a
partir de então e como o comércio de abastecimento representava uma
atividade de interesse dos grandes comerciantes instalados na cidade
(Dias, 1986 [1972]).
A pesquisa mais consagrada sobre o abastecimento da nova corte
portuguesa é a dissertação de mestrado de Alcir Lenharo, publicada como
livro em 1979. A obra analisa o comércio de abastecimento para a cidade do
Rio após a chegada da família real e apresenta as crises atravessadas no
fornecimento de alimentos a partir de então. Estabelece uma radiografia
sobre as vias de suprimento à capital, por via externa, costeira e terrestre,
ressaltando os gêneros que vinham pelos caminhos das outras capitanias,
em especial as reses que proviam carnes verdes à cidade. O autor assinala
a ação dos atravessadores e as práticas monopolistas dos homens de
negócio, o que levava à alta dos preços e à especulação com o produto,
malgrado as ações da Coroa para regularizar o fornecimento do gênero na
cidade (Lenharo, 1993 [1979]).
Diversos são os documentos que se referem ao problema do
abastecimento de proteína animal à cidade após a chegada da família real.
Em setembro de 1810, o vereador do Senado da Câmara do Rio, Joaquim
de Sousa Meirelles, afirmou que eram “bem constante[s] a queixas do povo
pela falta de carne” (Meirelles, 1810, s/p). No mesmo ano, outro vereador
assinalou que “se o Senado perplexo e vacilante sobre as providências,
que deva dar para que cesse a grande falta de carne, que o povo está
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experimentando, e que se deve esperar, que em aumento” (Arquivo...,
1810, s/p).
Desde a abertura dos portos, em 1808, diversos estrangeiros
passaram a residir na cidade, escrevendo diários e livros. Esses relatos
trazem impressões da cidade, dos alimentos e do suprimento de
mantimentos, em geral com viés crítico. O mineralogista britânico John
Mawe chegou à cidade pouco depois da família real e foi recebido por dom
João VI. Em seu livro de memórias, afirma que “as provisões, geralmente
abundantes, mas de qualidade pouco escolhida; a carne [bovina], não digna
de menção, é, na verdade, má” (Mawe, 1944, p. 106). A também inglesa
Maria Graham chegou à cidade no fim do período joanino e teve impressão
similar à do seu conterrâneo. Em 1821, a viajante afirmou que “a carne
verde é barata, mas ruim” (Graham, 1990, p. 196).
Após a paz na Europa, em 1815, visitantes de outras localidades do
continente aportaram na cidade do Rio e teceram os seus relatos. No que
diz respeito à qualidade da carne bovina, suas impressões eram
semelhantes. Os prussianos Theodor von Leithold e Ludwig von Rango
(1966), que estiveram na cidade entre 1819 e 1820, afirmaram em seu livro
que “a melhor carne no Rio de Janeiro é a de porco [...] a carne de boi é má”
(p. 19). o militar suíço-alemão Carl Seidler (1980), que esteve no Rio em
meados da década de 1820, apontou que “a carne no Brasil é magra e ruim”,
acrescentando que “muitas vezes o pobre gado fica dois e três dias, sem
água e sem alimento, à espera de que chegue a vez da matança, e não é
raro, que antes disso se abatam de cansaço, fome e sede” (pp. 79-80). São
vários os relatos de estrangeiros sobre a qualidade da carne bovina no
Brasil. O comerciante inglês John Luccock (1975) acrescentou também
notas críticas acerca da localização do matadouro e condições higiênicas
doo estabelecimento: “Não existe talvez, nem localização, nem atenção ou
cuidado que possam fazer de um matadouro um cenário atraente; seja sob
a direção que for, deve ser tarefa árdua a de mantê-lo perfeitamente
asseado. Lugares tais, deveriam, pois, ser mantidos longe de nossas vistas”
(p. 30).
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-se que uma convergência nos relatos desses viajantes sobre a
qualidade da carne fresca no Rio, bem como as más condições do
matadouro e do cuidado com o gado.
Os problemas de escassez, carestia e qualidade da carne eram
permanentes na cidade nesse período. Em alguns momentos, eram
agravadas por situações como a guerra desencadeada no Sul da América
portuguesa em 1816 e que implicou a redução do envio de boiadas à cidade.
O abastecimento de carne ficou comprometido nos anos seguintes,
levando à piora da escassez e encarecimento do gênero. Situações como
essa tinham um caráter socialmente explosivo e podiam desencadear
levantes populares, como indica o historiador Aureliano Gonçalves (1952):
“Em julho de 1818, a falta de carne para abastecer a cidade deu motivo para
forte agitação, vindo o povo à rua, amotinado, com francas manifestações
de simpatia ao movimento emancipatório de Pernambuco. Esses
acontecimentos foram levados a ciência do governo real” (p. 304).
Os problemas de suprimento de alimentos à cidade funcionavam
como combustível para amotinações com conotações políticas. Outras
situações de levantes sociais relacionados a situações de carestia e escassez
foram encontradas por Thompson (1998), que se referiu à economia moral
da multidão.
Uma situação específica foi a inauguração de um segundo
matadouro na cidade, na região da Cidade Nova, que funcionou
paralelamente ao de Santa Luzia, apesar do menor porte. O abatedouro
gerou reclamações dos moradores do entorno em razão dos seus
problemas sanitários. Em 1823, a Câmara do Rio recebeu um abaixo-
assinado de 24 pessoas reclamando da falta de “asseio” do matadouro, que
causava um “fétido [...] insuportavel, com damno da saude” (Arquivo....,
1824, f. 45-46). Durante o Primeiro Reinado, diversas reclamações
chegaram à Câmara Municipal acerca das condições do matadouro. Em
1827, documento do Senado da Câmara se referia ao “mao habito cauzado
pela putrefação do sangue e fezes que se depositão naquele pântano, dos
boes que se matão no novo matadoiro(Arquivo..., 1827, f. 15). As queixas
eram frequentes e o estabelecimento logo foi fechado.
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O matadouro principal da cidade também acumulava reclamações.
Em 1830, um vereador apontou que o estabelecimento estava em estado
de “ruína e desleixo” (Atas..., 1952, p. 122) e o fiscal da freguesia de São José
afirmava que o local estava em “em mizeravel estado [...] com prejuízo da
saude publica”. No ano seguinte, o mesmo fiscal salientou que “todas as
portas estão arruinadas, sem chaves, dobradiças [...] pelas quaes podem
roubar com muita facilidade [...], o telhado para o lado do mar tem algumas
[partes] abertas” (Arquivo..., 1830-1831, f. 7-8). O estado do abatedouro era
pauta recorrente das sessões plenárias da Câmara. Em 1830, as atas do
parlamento apontam que a instituição debateu o estado do
estabelecimento, concluindo que este estava em situação “extremamente
prejudicial à saúde da cidade” (Atas..., 1952). Denúncias implicavam os
marchantes pelo abate de reses pestilentas e acusavam os comerciantes de
vender carne podre nos talhos da cidade. Havia acusações sobre mercado
paralelo que direcionava as melhores carnes em período de racionamento
para as famílias mais ricas e poderosas da cidade (Campos, 2010).
O problema da má qualidade do suprimento de alimentos à cidade,
em particular na carne bovina, não se esgota no período joanino e no
Primeiro Reinado. Mesmo depois da inauguração do matadouro de São
Cristóvão e durante a segunda metade do século 19, o suprimento de
proteína animal à cidade permaneceu debilitado. Sebastião Ferreira Soares
(1977) apontou a migração do capital do tráfico negreiro para a agiotagem
e especulação com o comércio de abastecimento, com práticas
monopolistas, após a Lei Eusébio de Queiroz, em 1850. Afonso de
Alencastro Graça Filho (1991) chama a atenção que, nos anos 1850, em
meio às novidades da implantação das ferrovias, telégrafos, carris urbanos
e ao aumento das exportações, a cidade passou por graves crises de
carestia, como em 1857. Nesse ano, o parlamento brasileiro chegou a
discutir o monopólio das carnes verdes. O autor salienta o caráter
oligopolizado do comércio, que acumulou recursos que redundaram no
capital bancário e industrial da cidade. Na crise de 1857, pesava a redução
da área plantada de gêneros para o abastecimento interno, tendo em vista
o aumento do preço internacional do café e a elevação da produção para
exportação. Graça Filho cita revoltas contra o abastecimento precário na
década de 1870, quando o estrangeiro Richard Burton apontou: “Dia virá
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em que a bela carne de São Paulo e do Paraná suplantará no Rio de Janeiro,
a que lhe é escassamente fornecida pelos açougues monopolizados:
excessivamente viajada, mal nutrida e devorada pelos vermes” (citado por
Graça Filho, 1991, p. 15). O relato é de 1873 e indica da persistência do
problema da má qualidade da carne bovina na cidade, problema associado
à carestia e à escassez permanentes.
Uma das explicações para a má qualidade das carnes era a distância
em relação às regiões produtoras e à qualidade das estradas. Lenharo
(1993) assinala que “as estradas eram precárias” e as “perdas consideráveis”
(p. 35). No entanto, Campos (2010) aponta algumas questões estruturais
que ajudam a explicar a condição das estradas e do comércio doméstico:
Um dos fatores principais da qualidade do suprimento de bens
para a urbe, a condição dos caminhos, não pode ser entendida apenas
no seu sentido técnico ou na falta de recursos públicos para tal. Em uma
economia colonial, em que os setores sociais primário-exportadores têm
mais força, a política estatal para as estradas tende a priorizar a ligação das
regiões agro-exportadoras aos portos e não a integração interna. Os
caminhos que visavam o abastecimento urbano, como as estradas que
ligavam a região Sul do território ou o Sul de Minas Gerais ao Rio de Janeiro
não eram áreas prioritárias de atuação dos governos entre 1808 e 1835,
mesmo que houvesse um período de relativa mudança na política para as
estradas entre 1808 e 1831, com a criação das estradas do Comércio e da
Polícia. Mesmo assim, não se pode afirmar que a construção e a
conservação das estradas que ligavam o mercado interno eram temas
prioritários desses governos, até porque a configuração social e a
dinâmica no interior do Estado não eram plenamente favoráveis aos
grupos sociais ligados ao comércio de abastecimento terrestre. (p. 241;
grifo nosso)
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Assim, havia uma questão estrutural que se impunha e que
condicionava a dinâmica do comércio de abastecimento. Ele não era
atividade prioritária da economia brasileira. A América portuguesa foi
colonizada tendo como prioridade a produção voltada para o mercado
internacional, sendo a produção dedicada às cidades e ao mercado
doméstico subsidiárias em relação àquelas atividades. Mesmo com a vinda
da família real e com a independência, malgrado o estabelecimento de um
Estado autônomo e iniciativas para melhorar a dinâmica do mercado
interno sobretudo o fornecimento de produtos básicos à capital , a
atividade prioritária da economia brasileira continuava sendo a produção
voltada para a exportação, sobretudo com a emergência do café na pauta
de exportações.
Se havia queixas em relação à condição dos caminhos que uniam os
centros produtores e consumidores do mercado doméstico brasileiro no
século 19, algo diferente ocorria em relação à ligação entre as regiões
produtoras de gêneros para exportações e os portos. Para efeito de
contraste e comparação, podemos citar as ferrovias, estabelecidas a partir
de meados do século. Almir El-Kareh estudou a implantação da estrada de
ferro dom Pedro II, que, depois de fundada, tornou-se a maior empresa do
país, voltada para levar com rapidez o café produzido no Vale do Paraíba
fluminense até o porto do Rio. O autor destaca que o setor dinâmico da
economia brasileira nos anos 1850 e 1860 era a agricultura de exportação,
sendo que a vida econômica, social e política do Brasil repousava na
produção de café do Vale do Paraíba e na escravidão (El-Kareh, 1982).
De forma semelhante, em São Paulo, nas décadas seguintes, foi se
formando uma estrutura ferroviária dirigida para unir as novas regiões
produtoras de café ao porto de Santos. José Roberto do Amaral Lapa (1998
[1983]) ressalta a construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí, entre 1867
e 1868, seguida pelas linhas Jundiaí-Campinas (1872), Campinas-Itu (1873),
Mogiana e Sorocabana (1875), bem como a ligação com a Dom Pedro II
(1877). Esse processo ocorria em um momento no qual o Brasil respondia
por 75% do mercado mundial de café, produto que consistia o eixo dinâmico
da economia. Enquanto esse setor se expandia, a produção voltada para o
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mercado doméstico encontrava problemas da escassez, carestia e
qualidade. Entre as ferrovias brasileiras, a maioria delas era dedicada a ligar
centros produtores de artigos de exportação aos portos, havendo exceções
ramais como o da Rio D’Ouro, que servia prioritariamente ao
abastecimento de água para a cidade do Rio de Janeiro (Silva, 2021).
Vimos ao longo desta seção do artigo como se deu o abastecimento
de gêneros alimentícios na economia colonial brasileira e no Império,
enfatizando as carnes verdes e a cidade do Rio de Janeiro. Verificamos que
a produção dedicada ao mercado doméstico era subalterna em relação à
produção voltada para o mercado internacional. Veremos na próxima seção
como se deu a questão no final do Império e na Primeira República.
Impasses no abastecimento de carnes verdes para a
cidade do Rio de Janeiro: final do Império e Primeira
República
O advento da República não levou a uma modificação estrutural na
posição cumprida pelo comércio de abastecimento na economia brasileira.
Apesar do colapso da escravidão nos estertores do Império, o modelo
econômico permanecia hacia fuera, com ênfase na produção dedicada ao
mercado externo, com uma posição secundária cumprida pelo suprimento
do mercado doméstico durante a Primeira República (Tavares, 1978).
Assim, o problema da carestia e da escassez de alimentos foi sentido
no Rio de Janeiro no governo provisório, responsável pela derrubada do
regime monárquico. A administração Deodoro da Fonseca estabeleceu
feiras livres na cidade, nas quais os lavradores poderiam vender as suas
mercadorias sem passar pelos atravessadores, desviando das suas práticas
monopolistas. No entanto, a medida não surtiu efeito, e os gêneros
alimentícios de primeira necessidade permaneceram com problemas de
carestia e escassez. Assim, o ano de 1892 foi problemático no suprimento
de produtos básicos na cidade. Em sua análise sobre o período da Primeira
República, Fábio Carvalho (1992) indica que o abastecimento de alimentos
à cidade foi problemático nesse tempo, ressaltando a alta concentração do
comércio e de práticas especulativas dos agentes que atuavam nesse
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mercado, os quais obtinham elevadas margens de lucro e revertiam os
ganhos no mercado imobiliário da cidade.
No que diz respeito às carnes verdes, uma iniciativa foi tomada antes
do período republicano no sentido de estabilizar o fornecimento de carne à
cidade. Ainda durante o Império, na década de 1870, foi elaborado um
projeto de novo matadouro na cidade do Rio, que seguiria padrão de
estabelecimentos semelhantes em algumas cidades na Europa e na
América do Norte. O modelo era de um abatedouro afastado da cidade,
seguindo os padrões médicos vigentes, enquanto um estabelecimento
industrial, clivado pela técnica e conhecimento científico de então. O
projeto foi elaborado para um matadouro da cidade em Santa Cruz, que foi
inaugurado em 1881, levando ao encerramento dos abates em São
Cristóvão. Como parte do empreendimento moderno e voltado ao
atendimento das necessidades da cidade, foi montada uma linha férrea que
saía do centro da cidade até o local:
A extensão da linha férrea aa Imperial Fazenda de Santa Cruz
sempre esteve presente no projeto de transferência do Matadouro, não
somente para transportar passageiros, mas com a finalidade de
escoamento das reses abatidas no Matadouro para a estação de São
Diogo. Também serviu para o transporte de materiais para a construção
do estabelecimento. As obras para a extensão começaram ao mesmo
tempo em que se começou a do novo Matadouro, sob a responsabilidade
da mesma empreiteira. Mas, como ocorreu com as obras do Matadouro,
os recorrentes atrasos e pedidos de prorrogação de prazo, o mesmo
aconteceu com a linha férrea. Assim, ao final de 1877 as obras ainda não
estavam concluídas. (Costa, 2017, pp. 140-141)
A ferrovia foi inaugurada em 1878, após seguidos atrasos. Muitas
queixas foram feitas em relação à qualidade e à demora na entrega do
matadouro e da estrada de ferro. No entanto, no início dos anos 1880,
ambos estavam funcionando.
Contudo, a operação do novo matadouro não trouxe a solução para
o problema da carestia, escassez e qualidade da carne bovina que atendia à
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população da cidade do Rio. Os problemas começavam no próprio
matadouro, local que, de acordo com os relatos, estava longe de possuir as
condições sanitárias adequadas para prover boa carne aos cariocas.
Conforme reclamações feitas por leitores de jornais da cidade no início da
década de 1890, temos o seguinte:
Para o leitor, o fato das Valas do Itá e do Sangue terem sido cavadas
no solo sem parede de revestimento e completamente descobertas,
facilitava que em seu leito formasse uma espessa camada de lama, com
acúmulo de matérias orgânicas em decomposição. É dessa água que
bebe o gado durante os quatro dias que deveria descansar e refazer-se da
viagem nos campos da Fazenda de Santa Cruz. Não tendo a Vala do
Sangue e do Itá capacidade suficiente e declive necessários para o pronto
escoamento das imundícies. (Costa, 2025, p. 193)
Eram recorrentes os registros de problemas sérios de higiene no novo
matadouro da cidade, já passados 10 anos da sua inauguração.
A edição de 19 de abril de 1890 da Gazeta de Notícias apontava que o
matadouro “dá lugar as febres que durante certo tempo do ano, reinam em
Santa Cruz” (Gazeta..., 19 de abril de 1890, p. 1). Assim, as condições de
saneamento do matadouro e do entorno, de acordo com o veículo de
imprensa, eram responsáveis por problemas de saúde das pessoas que
habitavam ao redor do estabelecimento. Na mesma edição, o jornal se
referiu às condições em que as reses bovinas eram mantidas nas cercanias
do abatedouro: “nessas lagoas pútridas, o gado mergulha a cabeça para do
fundo arrancar o pasto. A erva que medra desses lugares estrumados, pelo
adubo de substâncias orgânicas em plena decomposição” (Gazeta..., 19 de
abril de 1890, p. 1).
As condições inadequadas de manutenção do gado ao redor do
matadouro eram recorrentes na imprensa carioca no período. Também
havia indicações de contaminação da carne no estabelecimento, pelo uso
inadequado dos procedimentos de abate e pelo retalhamento do animal:
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A contaminação da carne, no Matadouro de Santa Cruz, podia
ocorrer desde o atordoamento prévio feito pelo estilete, onde a mesma
lâmina era utilizada em todos os animais que entravam na mangueira
(corredor onde era dado o golpe na cervical da rês) para o abate. Durante
o próprio abate, começando pela sangria até o armazenamento das
carcaças para o transporte nos vagões da linha férrea, no Mercado
Municipal e nos açougues. Todo esse processo, vale lembrar, era
manipulado por pessoas que, por falta de orientação ou negligência,
colaboraram para a baixa qualidade da carne que chegava ao
consumidor. (Costa, 2025, p. 202)
Assim, havia indicações de contaminação da carne verde fornecida à
cidade por métodos sanitariamente impróprios no interior do matadouro.
Isso fazia com que a qualidade da carne fornecida aos mercados da cidade
fosse objeto de queixas pela população e de denúncias na imprensa no
período.
O jornal carioca Gazeta de Notícias veiculava as críticas populares
ao estado da carne:
Se é verdade que um ou outro pode escolher a carne que na
aparência lhe parece melhor, esse número é muitíssimo limitado, e a
maior parte do consumidor, louvando-se da vigilância da intendência,
recebe a carne em confiança e dela se nutre, ingerindo o envoltório dos
pulmões e dos fígados putrefatos e tuberculosos. (Gazeta..., 11 de abril
de 1890a, p. 1)
Essa denúncia foi retirada da edição de 11 de abril de 1890 do jornal,
um dos vários exemplos de reclamações em relação à qualidade da carne
na imprensa do período, além das acusações publicadas de carne
contaminada sendo oferecida à população nos mercados da cidade.
O jornal O Paiz também continha colunas que apontavam a
contaminação da carne e do leite na cidade, incluindo entrevistas junto a
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autoridades. Edição de 15 de maio de 1906 do jornal se referiu aos “venenos
da alimentação” (O Paiz, 1906) que eram oferecidos aos moradores da
cidade nos mercados. Artigos médicos do período salientavam o risco de
contaminação das pessoas com o consumo daquela carne: “A carne,
mesmo obtida de animais sadios, é um veículo potencial de contaminantes
de natureza biológica, física e química, nas diversas fases de
processamento, que vão desde a produção, transformação,
armazenamento, transporte e condições de comercialização” (Abrahão et
al., 2005, p. 2).
O artigo médico apontava a possibilidade de contágio dos
consumidores por meio da ingestão da carne proveniente desses animais
adoecidos, ressaltando também problemas no transcurso da mercadoria
até os consumidores.
Os relatos da imprensa indicavam que reses doentes eram abatidas e
sua carne e órgãos aproveitados nos mercados da cidade. O jornal Gazeta
de Notícias apontava a contaminação da carne e doenças que acometiam
os consumidores: “é assim que indivíduos robustos, gozando de perfeita
saúde, são em pouco tempo vitimados por uma tuberculose em marcha
rápida; e a tuberculose irrompendo como moléstia intercorrente em outras
afecções” (Gazeta..., 19 de março de 1890b, p. 1).
Não era a imprensa que denunciava publicamente a qualidade
e contaminação da carne. Agentes oficiais também apuravam o problema:
Em 19 de abril de 1890, mais uma remessa de carne estragada
chegou ao Mercado de São Diogo, e os fiscais da câmara no mercado
municipal alertaram para o alto índice de morte por tuberculose e sobre
a população estar se alimentando de carne, pulmões e fígados putrefatos
e tuberculosos. (Costa, 2025, p. 203)
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O mercado de São Diogo cumpria um papel de centro distribuidor da
carne e outros gêneros na cidade do Rio. No local, atuavam alguns agentes
municipais que verificavam os preços, qualidade e disponibilidade de
produtos como as carnes verdes. Comumente havia registros oficiais que
apontavam a disposição de carnes contaminadas no mercado.
Para além da contaminação, outro problema recorrente no
fornecimento de carnes à cidade era a atuação de marchantes no comércio
e os conflitos na cadeia produtiva e comercial do gênero, que muitas vezes
geravam disputas e ações de força, como a verificada no início do período
republicano:
A greve provocou atraso no envio de carnes para o mercado de São
Diogo, que, paradas abaixo de forte sol, chegaram estragadas. A rejeição
de carnes causava grandes prejuízos aos fornecedores de gados mineiros
que tinham o monopólio para abastecer a cidade carioca. A greve dos
marchantes, que já durava oito dias, era fácil de resolver. Mas, na opinião
do leitor, a questão da logística do abastecimento era o que os
intendentes não queriam fazer. Os marchantes não cruzaram apenas os
braços, também foram para a ferrovia, e impediram o desembarque do
gado oriundo de Minas Gerais. (Costa, 2025, pp. 196-197)
No caso, a referida greve não parece exatamente a paralisação da
produção por parte dos trabalhadores que exigiam melhores condições
laborais. Trata-se de uma espécie de locaute, com a interrupção do
fornecimento de reses para o matadouro por conta de desentendimentos
na cadeia mercantil que funcionava no comércio de abastecimento de
carnes. O episódio denuncia a complexidade da questão e como as práticas
monopolistas e especulativas dos agentes que atuavam nesse comércio
traziam questões ao suprimento de carne à cidade.
Conforme vimos, a inauguração do novo matadouro e a mudança
de regime político no final do século 19 não trouxeram substanciais
alterações no fornecimento de carnes frescas para o Rio. O abastecimento
do gênero permanecia problemático, com queixas da população em relação
à qualidade, ao preço e à quantidade de carne que abastecia os mercados,
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1 A famosa citação de seu livro é a seguinte: “Colocada a ideia de complexo, que dentre seus componentes conta com uma a=vidade que é a principal e
predominante, como a do café, cumpre em seguida apresentar os componentes do complexo cafeeiro bem como mencionar algumas das principais
variáveis, que sobre ele atuam. Destaco, entre seus principais componentes:
- a a=vidade produtora do café;
- a agricultura produtora de alimentos e matérias-primas, vista em dois segmentos: o primeiro, representado pela produção desenvolvida dentro da área da
propriedade cafeeira, quer como cul=vos intercalados, quer como produção elaborada em terras cedidas pelo proprietário aos trabalhadores do café;
o segundo, pela agricultura que produz essencialmente para o mercado, operando fora da propriedade cafeeira;
- a a=vidade industrial, que, em função do objeto de análise, deve ser vista também, em pelo menos três segmentos: um, representado pela produção de
equipamentos de beneficiamento de café; outro, pela importante indústria de sacarias de juta para a embalagem do café, e o terceiro, representando
os demais compar=mentos produ=vos da indústria manufatureira, entre os quais, notoriamente se destaca o têx=l;
- a implantação e desenvolvimento do sistema ferroviário paulista;
- a expansão do sistema bancário;
- a a=vidade do comércio de exportação e de importação;
- o desenvolvimento de a=vidades criadoras de infraestrutura portos e armazéns, transportes urbanos e comunicações bem como daquelas inerentes
à própria urbanização, como o comércio, por exemplo;
- finalmente, a a=vidade do Estado, tanto do governo federal como do estadual, principalmente pela ó=ca do gasto público” (Cano, 2007 [1977], pp. 28-29).
além de denúncias em relação à sua contaminação e à venda de órgãos e
partes de animais adoecidos.
No entanto, nem todos os segmentos da economia brasileira
operavam nos termos verificados no comércio de abastecimento, em
particular o das carnes verdes. Havia setores que tinham por característica
expansão, melhoramento, uso de técnicas avançadas e dinamismo na
cadeia produtiva e comercial. Assim, Wilson Cano desenvolveu,
originalmente em 1977, um estudo clássico acerca da espiral virtuosa
gerada pela produção, transporte, beneficiamento e escoamento da
produção de café, sobretudo no estado de São Paulo, durante a Primeira
República. O conceito concebido por Wilson Cano busca compreender as
origens das desigualdades regionais no Brasil1. O autor pretende entender
por que São Paulo é o estado mais rico da federação e o motivo pelo qual
ele se tornou o principal polo industrial do país. Nesse sentido, ele formulou
o conceito de “complexo cafeeiro”, que aponta justamente para a
importância que a economia cafeeira teve para o desenvolvimento das
fábricas a partir da Primeira República, ao fornecer capital e um conjunto
de atividades econômicas que acabaram impulsionando a formação
industrial de São Paulo, fazendo com que o estado liderasse a produção
fabril no país já a partir da década de 1920.
Em contraste com a economia do abastecimento, que tinha um perfil
subsidiário e com problemas permanentes de escassez, carestia e
qualidade, a economia no entorno da produção e escoamento do café
compreendia o setor dinâmico da economia brasileira no período, dispondo
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2 Sobre o papel da economia do abastecimento na acumulação de capitais, há extensa bibliografia como Campos (2010), Carvalho (1992), Fragoso (1992),
Graça Filho (1991), entre outros. O livro de Fragoso e Floren=no (2001) assinala o acúmulo de capitais por parte dos negociantes, porém também os valores
arcaicos e não capitalistas que eles possuíam, o que os fazia dispor de um ideal aristocrá=co, distante do mundo do trabalho, com aquisição de terras
e prédios urbanos.
de serviços que operavam em nível de qualidade e excelência. Ambas as
atividades implicaram a acumulação de capital, redundando em recursos
que levaram à formação de indústrias, bancos e outros empreendimentos2.
No entanto, mesmo nesse quesito, a economia cafeeira apresentava um
padrão superior e se dirigiu a um processo mais vigoroso de acumulação de
capital, o que se expressa no poderio industrial e financeiro de São Paulo.
Ramo fundamental do complexo cafeeiro era o das estradas de ferro no
interior do estado de São Paulo, que operavam em padrão de qualidade
reconhecido. Ilustrativo disso é o relato do dirigente da empreiteira
Camargo Corrêa, que, na década de 1940, foi contratada pela Companhia
Paulista de Estradas de Ferro, empresa britânica, para ampliar um de seus
terminais. Wilson Quintella (2008), vice-presidente da construtora, afirma,
em seu livro de memória, que se inspirava nesse grupo econômico
enquanto modelo de gestão e bons serviços:
A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, cuja linha ligava Jundiaí
a Panorama, era o padrão do sistema ferroviário brasileiro. [...]
Aprendíamos muito com o nosso cliente: a Paulista tinha uma gestão
muito eficiente, que buscava sempre obter bons resultados para o
dinheiro dos seus acionistas.
Os trens da Paulista eram de primeira ordem. Possuíam vagão
Pullman, cada carro atendido por um funcionário impecavelmente
vestido. Ninguém podia viajar sem gravata e paletó. (pp. 75-76)
O relato do advogado e dirigente empresarial aponta uma admiração
da qualidade da administração e da eficácia nos resultados de um grupo
econômico que tinha como função precípua o transporte de mercadorias,
sobretudo café, do interior de São Paulo para o porto de Santos.
Vimos ao longo da seção que, malgrado a inauguração do novo
matadouro de modelo industrial e afinado aos avanços técnicos e
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científicos dos países centrais e o advento da República, o processo de
suprimento de itens de primeira necessidade, em particular de alimentos
como as carnes frescas, para a cidade do Rio permaneceu problemático
durante as primeiras décadas do século 20. Queixas na imprensa e de
agentes do Estado em relação à à carestia, à escassez, à qualidade e a
problemas sanitários da carne eram recorrentes e povoavam o debate
público na então capital federal. Foi apenas em 1918, em meio aos efeitos
da Grande Guerra, que o governo federal criou o primeiro órgão
centralizado para desenvolver políticas para o abastecimento do mercado
interno (Linhares e Silva, 1979). A partir de então, o Estado passou
crescentemente a intervir no setor e a própria dinâmica da economia
brasileira se modificou, passando gradualmente de um padrão hacia fuera
para um viés hacia dentro. Com isso, o atendimento ao mercado interno
passou a assumir prioridade crescente na dinâmica da acumulação de
capital na economia brasileira, ao passo que as queixas acerca dos
problemas no suprimento de carne diminuíram, em associação com
avanços técnicos nesse ramo produtivo, como a refrigeração elétrica.
Conclusão
Angelo Segrillo, ao analisar a economia soviética durante o período da
Guerra Fria, indica que o país dispunha de um segmento industrial dinâmico
responsável pela produção de armamentos, como mísseis, aeronaves
supersônicas, tanques de guerra, tecnologia aeroespacial, bombas
atômicas e embarcações nucleares. Por sua vez, a economia civil soviética
se clivava pela qualidade e muitas vezes pela limitação da sua produção.
Assim, famílias eram obrigadas a dividir apartamentos em grandes cidades,
os alimentos muitas vezes eram questionados pela população por sua
qualidade e mercadorias como automóveis e outros utensílios para uso
pessoal eram objeto de crítica dos consumidores, que teciam restrições em
relação à sua qualidade e disponibilidade para compra (Segrillo, 2000). A
economia soviética dispunha de uma certa dualidade estrutural, com um
setor dinâmico, sofisticado, avançado e que atuava na fronteira
tecnológica, no ramo de fabricação dos equipamentos do complexo
industrial-militar, ao passo que se caracterizava pela qualidade e pela
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quantidade insuficiente na produção dos itens básicos para o consumo
ordinário da população.
De forma distinta e bem distante no tempo, podemos nos referir a
um certo dualismo estrutural da economia colonial e dependente brasileira,
desde o período da imposição da colonização, nos séculos 16-17, até as
modificações que foram sentidas na economia brasileira a partir dos
grandes choques externos da primeira metade do século 20. Nesse longo
período, a estrutura econômica brasileira residia em um setor dinâmico e
prioritário produtor de bens para a exportação, sobretudo açúcar, ouro e
diamantes, café, além de algodão, borracha, tabaco e outros itens. A
atividade fundamental da economia colonial e dependente era a produção
e venda desses gêneros, bem como as atividades associadas ao
funcionamento dessas cadeias. À sombra da economia exportadora, havia
a produção dedicada ao mercado interno, que, grosso modo, era
subsidiária, secundária e auxiliar em relação à economia exportadora. Por
mais que tenha havido períodos em que a produção voltada ao
atendimento do mercado interno ganhou certo dinamismo e passou a
mobilizar grandes comerciantes, além de ser objeto de atenção por parte
das políticas oficiais sobretudo após a instalação do Estado português na
América portuguesa, em 1808 , o suprimento do mercado interno
operava de forma subordinada à economia exportadora, que gozava de
uma posição mais central na organização das atividades produtivas.
Assim, ao lidar com seguidos relatos em fontes primárias diversas
acerca da recorrente escassez, carestia, qualidade e contaminação de
gêneros alimentícios como as carnes verdes que atendiam à cidade do Rio
de Janeiro ao longo dos diferentes séculos, entendemos que a explicação
supracitada é a melhor chave para a compreensão de um fenômeno tão
contínuo e trans-histórico, que conseguiu atravessar séculos e diferentes
momentos da história colonial e independente brasileira, conforme muito
bem sinalizou Maria Yedda Linhares em citação na primeira seção deste
artigo. Malgrado o avanço na historiografia nas últimas décadas, que
conseguiu levantar documentos e informações acerca de circuitos
dinâmicos da produção dedicada ao mercado doméstico no período
colonial e imperial (por exemplo, Fragoso, 1992), responsável pela
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formação de fortunas e uma acumulação de capital relevante, entendemos
que, em linhas gerais, a produção dedicada ao abastecimento dispunha de
uma posição subalterna em relação à economia exportadora.
Dessa forma, parece residir, nessa dualidade estrutural da economia
brasileira em sua formação histórica, a explicação para encontrarmos no
período colonial, no Império e na Primeira República, os seguidos relatos
acerca da escassez, da carestia, da má qualidade e de problemas sanitários
no fornecimento de alimentos às cidades brasileiras, em particular as
carnes verdes ofertadas no Rio de Janeiro, cuja precariedade parece ter
ficado patente nas passagens dos documentos que trouxemos no presente
artigo.
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